2020: o ano da virada

30 de dezembro de 2020
Yngrid Corsini
Depois de levar um dos maiores tombos da minha vida (como contei nesse primeiro texto), eu precisava dar uma virada. Não dá para ficar caída para sempre…
Foto: Yngrid Corsini

Depois de levar um dos maiores tombos da minha vida (como contei nesse primeiro texto), eu precisava dar uma virada. Não dá para ficar caída para sempre afinal. 

Eu estava em Bonito, Mato Grosso do Sul. Saí de uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes para uma com menos de 30 mil, voltei a morar com meus pais, depois de anos de independência e estava lidando com o fato de que eu realmente tinha tido uma pane no sistema, pela primeira vez, e isso tinha tido consequências que eu realmente não desejava. Esses foram os três grandes impactos à primeira vista. 

Estar em Bonito me fez espairecer. Andar de bicicleta no nascer do sol. Mergulhar no rio Formoso no pôr do sol. Sentir a sinestesia que só a natureza poderia me proporcionar. Respirar. Podia ser o suficiente, mas eu ia ter que encarar o que eu estava fugindo – e não era de hoje: eu mesma. 

Comecei a avaliar todos os meus hábitos, desde leitura a modos alimentares que estavam me fazendo mal.  Precisei ressignificar o que era lazer. Lazer afinal é apenas sair para beber? Parece que não, mas filmes hollywoodianos de jovens na faculdade nos vendem essa ideia de maneira tão sutil (na verdade não tão sutil assim) e o pior de tudo é que a gente compra. 

Quais eram as questões emocionais que há muito me afligiam que me faziam entrar em ciclos viciosos de erros? Eu precisava ser sincera e honesta comigo, uma das partes mais difíceis! Às vezes mentimos tão bem para nós mesmos que beira o impossível descobrir as falsidades que nos escondemos, as máscaras que vestimos a tanto tempo que a gente nem lembra mais do nosso reflexo.  

Fiz uma desintoxicação do corpo… parei de beber, fumar, comer mal, tomar analgésico como se fosse farofa com arroz. Dei uma virada nos meus hábitos e parei de me matar aos poucos. Fiz também uma desintoxicação da mente e deixei o celular e as redes sociais de lado por um bom tempo. 

Dia após dia, uma faxina diferente. Haviam dias que me sentia livre, a ponto de andar de bicicleta sem as mãos, escutando a música preferida no fone e cantando alto sem me importar com quem escutava. Porém dias que eu ficava deitada na cama o dia todo em posição fetal chorando como quem perde a esperança. Ainda bem que a esperança e a misericórdia de Deus se renovam todas as manhãs.

 

Foto: Yngrid Corsini

Acho que isso significa adaptação. Alô Darwin.  De fato quem sobrevive não são os mais fortes, nunca me senti tão fraca. Tampouco os mais inteligentes, nunca me senti tão perdida. Mas definitivamente abracei a mudança e me adaptei. Levantei, sacudi a poeira. A lente com que enxergo o mundo será sempre escolha minha. Eu escolhi enxergar possibilidades. É melhor ver a crise como um meio e nunca como um fim. 

Hoje? Hoje estou mal. Você queria ler que eu estava bem, né? Mas não! Acabei de receber a notícia que deu outra virada em minha vida: meu avô faleceu, covid. Mas ontem? Ontem eu estava bem. E amanhã? Vou estar bem novamente. A vida é mesmo assim, de alegria e tristeza, e não há como separá-las uma da outra. 

Porém com certeza vou terminar esse ano muito mais consciente, satisfeita e completa do que comecei. Espero que possa dizer o mesmo em dezembro de 2021. 

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