Raquel Rosa
Raquel Rosa

Ser mulher e viajar sozinha

07 de julho de 2020
Eu Compartilho

A primeira vez que viajei sozinha tinha 16 anos. Vocês devem estar pensando: “que família tranquila ela deve ter”, pois saibam que eu dei muita dor de cabeça aos meus pais, por conta dessa vontade de pôr a mochila nas costas sozinha.

Ouvi muitas vezes o quanto viajar sozinha é perigoso, que era coisa de doido. Nesses 10 anos que estive pelo mundo, com a mochila nas costas, posso compartilhar uma coisa: ainda bem que eu nunca escutei o que o mundo me dizia.

Viajar sozinha te permite conhecer e aproveitar a sua própria companhia. A gente cresceu numa cultura machista e patriarca e muitas de nós não aprendeu o prazer da solitude. Obviamente, estar só nem sempre é um mar de rosas, existem dias que é difícil aguentar a própria companhia. Mas dias como esses, ensinam muito sobre nós.

Viajar sozinha te abre para novas versões de si mesma, mas também te permite um novo olhar sobre o mundo e as pessoas. Viajando sozinha você descobre que não é tão difícil assim fazer amizade com estranhos e que talvez aquela pessoa que te deu uma informação na estação, vai ser seu companheiro de viagem por alguns dias.

Viajar sozinha, te permite escolher quando você quer companhia. Há muitas pessoas pelo mundo e, caso queira, você vai conhecê-las. Talvez hoje você pense o quão tímida você seja e isso te parece impossível, mas de uma introvertida para outra, eu te garanto que não é.

A primeira vez que saí do país fui à Bolívia. Não falava inglês e nem espanhol, aprendi um pouco dos dois na viagem. Quando minha família me largou na rodoviária, eles estavam apreensivos.Minha mãe tinha certeza que eu não voltaria, que venderiam o meu corpo e os meus órgãos. Os meus amigos me diziam que eu era doida, talvez eu seja.

Mas, quando eu entrei no ônibus, o passageiro da minha frente, puxou conversa comigo, lhe contei meus planos e ele perguntou:
— E você, vai encontrar alguém ou está indo sozinha?
— Estou indo sozinha.
— Soys muy valiente.— Ele disse.

Valente ou doida? Duas perspectivas sobre a mesma coisa.
Fico com os dois. E com a alegria de saber que escutei minha vontade de partir, quando o mundo me pedia para ficar.

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