Suzane Hammer
Suzane Hammer

Relíquias do Brasil: Museu de Sant’Ana

11 de novembro de 2020
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Santa Ana ou Sant’Ana, mãe da Virgem Maria, avó de Jesus Cristo e protetora dos avós. Tem seu nome originário do hebraico “Hanna” e não poderia receber outro significado mais belo: graça.

Existem algumas referências sobre sua história no Protoevangelho de Tiago, um texto que não consta na Bíblia e que conta um pouco de Santa Ana. Segunda santa mais cultuada no Brasil colônia, a mãe da Virgem Maria casou-se com São Joaquim e sofreu muito durante anos por ser estéril. Mas conseguiu engravidar e dar a luz a Maria com idade bem avançada.

Imagem de Santa Ana
Foto: Reprodução

Segundo a tradição cristã, Maria teria nascido no dia 08 de setembro do ano 20 a.C. Devido a dificuldade em engravidar, Santa Ana é considerada também a padroeira das mulheres casadas, em especial as grávidas, protetora das viúvas, dos marceneiros, navegantes, mineradores, protetora dos lares e famílias e também da educação, sendo ela responsável pela educação de Maria e grande influência na educação de Jesus Cristo.

E é em uma pequena e mimosa cidade mineira que Santa Ana recebeu um lugar de destaque para contar um pouco de sua árdua jornada. Inaugurado em 2014, o pequeno Museu de Sant’Ana na charmosa cidade de Tiradentes no interior de Minas Gerais, possui um acervo de 291 estátuas de Santa Ana, único no Brasil dedicado a ela. O museu foi instalado na antiga Cadeia Pública, um prédio histórico datado de 1730.

Durante 40 anos, a empresária e colecionadora de arte Angela Gutierrez, colecionou essas belas e raríssimas obras brasileiras eruditas e populares do séculos XVII e XIX de diversos artistas, muitos deles desconhecidos. Toda coleção foi doada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o Museu Sant’Ana. Uma coleção em especial, chama a atenção pela sua origem e peculiaridade: são as Paulistinhas.

Prédio do Museu de Sant’Ana
Foto: museudesantana.org.br

São pequeninas estatuetas feitas de barro com duas características específicas como estarem sobre um pedestal e serem furadas. Elas são originárias de oficinas da região da bacia do rio Paraíba e rio Tietê no estado de São Paulo e por esse detalhe, elas foram batizadas de Paulistinhas. Pelo pequeno tamanho, eram colocadas em oratórios, amuletos e levadas em procissões.

Conforme a época, cada obra apresenta um detalhe e característica diferente como: posição, coroas, flores, pedestais, materiais, douramentos e detalhes diversificados da Virgem Maria ainda criança. O prédio do museu, foi totalmente restaurado com todo cuidado para manter as características arquitetônicas da época. Hoje, as salas estão preparadas para receber turistas, alunos e apreciadores de história e arte com monitores interativos e informações sobre cada estatueta, acessibilidade, uma cafeteria que oferece um delicioso café premiado e produzido na região, uma loja com artesanato local e livros sobre o Museu e história da arte, sendo portanto, um maravilhoso local para uma visita e eventos.

Cidade de Tiradentes, Minas Gerais
Foto: Marinelson Almeida Silva on VisualHunt 

Para a cidade de Tiradentes fundada por volta de 1702, que foi batizada devido ao seu mais famoso filho, Joaquim José da Silva Xavier, e a criação deste museu único no país em homenagem a Santa Ana, faz com que uma
visita a essa pequena cidade em Minas seja um programa inesquecível de muita história, arte e principalmente fé. Devemos nos orgulhar de ter um acervo histórico tão importante e belo em nosso Brasil e de relíquias que devem ser sempre preservadas.

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