Thais Pereira
Thais Pereira

Quatro cantoras inspiradoras do passado, do presente e do futuro

27 de junho de 2018
Eu QueroRio de Janeiro

Como a Yngrid Corsini explicou no post  “3 grandes cantoras que me inspiram a ser grande também”, o Spotify lançou um aplicativo para calcular o percentual de cantoras que as (os) usuárias (os) escutavam no Dia Internacional da mulher.  Entretanto, embora eu seja feminista interseccional[1], o resultado do meu teste foi assustador (para mim, é claro), as mulheres representavam apenas 6% das (dos) artistas que faziam parte das minhasplaylists.

A música é resistência, é potência. Neste sentido, algumas cantoras doam suas vozes para lutas e transformam-se em símbolos de emancipação.

Se a lista da Yngrid contemplava jovens mulheres, a minha é composta por quatro divas maravilhosas que tornaram-se referências nas lutas contra o machismo, o racismo e a exploração de classe. Lutas que fazem parte da minha vida. Três delas não estão mais entre nós, mas as suas vozes continuam inspirando e emocionando as novas gerações.

Violeta Parra

Chilena de San Carlos, Violeta é considerada uma das mais importantes cantoras da música popular e folclórica do Chile. Nascida numa família pobre, ainda menina aprendeu a tocar violão e, aos 15 anos, iniciou sua carreira profissional.

As canções de Violeta sempre estiverem conectadas às lutas das classes subalternas. É o caso da belíssima “Gracias a la vida”, que já foi interpretada por outras cantoras, como Elis Regina, Mercedes Sosa e  Joan Baez.

Nina Simone

Aos três anos, a afro-estadunidense Nina Simone aprendeu a tocar piano. Embora seu sonho fosse ser pianista clássica, as dificuldades financeiras (e também o racismo) fizeram com que ela brilhasse em outros estilos musicais, como o jazz e o blues.

Durante a luta pelos direitos civis da população negra dos Estados Unidos, a cantora emprestou sua voz rouca à causa e tornou-se uma expoente artista e ativista do movimento negro do país.

Mercedes Sosa

Em 2019, farão 10 anos que Mercedes Sosa partiu. Entretanto, a cantora argentina continua sendo uma das principais de seu pais e uma das famosas na América Latina e no mundo.

Com origem indígena diaguitas e europeia, a cantora argentina, assim como Violeta Parra, eternizou-se ao interpretar as músicas folclóricas. Dessa forma, foi importante ativista contra o regime militar no país, cantando as dores causadas pela ditadura mundo afora. Aqui no Brasil, Mercedes fez parcerias com Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, entre outras (os).

Elza Soares

Das maravilhosas cantoras presentes na lista, Elza Soares é a única que ainda ilumina os palcos da vida e nos presenteia sempre com novas canções.

Eleita a cantora brasileira do milênio pela Rádio BBC de Londres, em 1999, Elza nasceu em uma favela do Rio de Janeiro e desde cedo lutou para sobreviver, enfrentando as dores e as dificuldades da pobreza extrema e a violência doméstica.

Sendo assim, a artista notabiliza-se por doar sua voz às lutas das mulheres contra o machismo e o racismo, além de promover a cultura afro-brasileira. Seus dois últimos trabalhos: A mulher do fim do mundo (2015) e o recém-lançado Deus é mulher (2018) traduzem perfeitamente a vida desta brilhante artista e mulher do Brasil e do mundo.

Também temos uma lista “Mulheres que inspiram” no Spotify, siga-nos lá!

[1] Feminismo que articula as opressões (estruturais) que podem acometer a vida de alguns grupos de mulheres, entre elas, as mulheres negras.

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