A influência da cultura paraguaia no Mato Grosso do Sul

5 de março de 2021
Yngrid Corsini

Quem me conhece sabe o quanto eu sou bairrista. Não adianta, por onde ando faço questão de expor que sou de Mato Grosso DO SUL. Talvez o motivo de o fazer é a frequente confusão com o estado vizinho, que de alguma forma faz com que nossa identidade seja colocada em cheque e assim temos que reafirmá-la. Independente do motivo, o fato é que amo a cultura do meu estado e por isso hoje quero falar um pouco mais sobre ela, focando em algo muito peculiar: a influência da cultura paraguaia nos sul-mato grosenses. 

Fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai

São 1180 km de extensão em que o Paraguai faz fronteira com Mato Grosso do Sul. Isso já seria fato suficiente para que a cultura paraguaia nos atingisse, mas mais do que isso há além da geografia, história. 

Tem uma música do Almir Sater, chamada “Sonhos Guaranis”, e ela, em melodia muito particular pantaneira encerra com o verso:
“E às vezes me deixa assim

Ao revelar que eu vim

Da fronteira onde o Brasil foi Paraguai.” 

E essa é a primeira parte da história: A Guerra do Paraguai. 

Guerra do Paraguai 

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito, tanto em duração como em proporção de toda a história da América do Sul, entre 1865 e 1870. As causas da guerra foram muito bem explicadas neste texto do Brasil Escola, porém em resumo: dinheiro e poder, como a maioria das guerras que já aconteceram no mundo. Que pode ser traduzido como interesses econômicos e controle político. 

Não vou discorrer sobre a Guerra em si, quem tiver mais interesse e quiser aprender mais sobre esse momento de nossa história indico este artigo: A ocupação paraguaia durante a Guerra do Paraguai. A grande questão é saber que cidades como Corumbá, Miranda, Nioaque e Dourados, foram invadidas pelas tropas paraguaias até que fossem retomadas pelos soldados brasileiros. 

Quadro “Batalha do Avaí”, pintado por Pedro Américo, retrata a Guerra do Paraguai
Foto: Reprodução

 O saldo foi negativo para todos os participantes da guerra (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), todavia para o Paraguai devastador. Mas o ponto em que quero chegar não é de fato nas causas da guerra ou em seus marcos e acontecimentos. Mas na sua consequência óbvia: mortes.

A quantidade de mortes de soldados paraguaios é imprecisa, porém estima-se entre 150 e 300 mil. Agora de maneira lógica, vamos pensar: os homens de seu país morreram, a terra está arrasada, uma vez que, embora o Paraguai tenha começado ofensivamente ocupando cidades brasileiras, a maior parte dos combates aconteceu em solo paraguaio. A guerra  por fim acaba e nesse período pós conflito muitas famílias (mulheres principalmente) paraguaias migram para o Brasil em busca de uma reconstrução. 

Então além da proximidade física, houve essa fusão natural da cultura paraguaia com a brasileira consequência dos conflitos históricos entre os dois países. Essa imigração trouxe comidas, bebidas, modos, música, forma de falar e muito mais. 

Uma das mais evidentes, e cotidiana, influência é o tereré. Bebida típica do MS tem sua história baseada inclusive na guerra. Segundo a lenda, os soldados – tanto os paraguaios, quanto os aliados – argentinos, uruguaios e brasileiros, gostavam de tomar chimarrão para repor os ânimos. Porém em pleno combate era difícil esquentar a água, e então passou a ser tomado frio. Gostaram do sabor e refrescância e a prática permanece até hoje. 

O tereré se assemelha muito ao chimarrão, porém a principal diferença é que o tereré se toma gelado
Foto: Reprodução

Isso sem falar da música. Ritmos como a polca paraguaia, chamamé e a própria música pantaneira, são resultado também dessa miscigenação. E o famoso grito paraguaio, que só quem conhece sabe… E infelizmente não vou poder demonstrá-lo por texto. 

De maneira superficial e resumida apresento para vocês o Paraguai que mora em nós.

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