Paulo Henrique Escrivano
Paulo Henrique Escrivano

Diário de um intercambista

15 de março de 2019
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Quando viajo, sinto que chego ao destino final antes da minha alma. É como se eu fosse de avião e ela fosse a pé. Levam semanas até que eu me sinta a vontade de novo. Normalmente, quando isso acontece, já está na hora de ir embora e na volta, pelo menos, ela me acompanha.

Acontece que agora eu viajei para bem longe. Só de avião, foram 16 horas de vôo. Já se passaram vários dias e minha alma ainda não chegou. Fez conexão em algum lugar errado, extraviou no aeroporto. Ficou pelo caminho. O problema é que, agora, a volta não está tão perto. Vai levar pelo menos um ano para retornar ao ponto de partida.

Quanto custa uma alma em Coroas Dinamarquesas?

Pode ser isso ou só uma subestimada falta de casa. Um pequeno choque de cultura. Estranhar o clima, as pessoas. Tropeçar em arbustos e crustáceos não é normal para quem estava acostumado com cachorros e gatos pelas ruas. O que conforta é que somos capazes de nos adaptar a qualquer situação, para o bem e para o mal. Aos poucos, uma casa vira um lar, colegas viram amigos, amigos e família viram saudade, que só dá para explicar mesmo em português. E logo haverão sapatos embaixo da cama, um pouco de pó sobre os móveis e o que era chamado de nova experiência vira apenas ‘vida’.

Enquanto a alma não chega, é minha chance de mudar alguns hábitos, sem sussurros. Sem dicas. Sem preferências batidas, ideias repetidas, opiniões datadas, hobbies viciados. Se o corpo é a casa da alma, é hora de começar a faxina para recebê-la bem quando ela chegar.

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